Restrições ao crédito dificultam negócio imobiliário
As restrições na concessão de crédito à habitação são hoje um dos principais obstáculos à realização de negócios imobiliários. Para os mediadores, a pouca margem de manobra dos bancos, reflexo do agravar da situação económica, do endividamento dos portugueses, está a travar o número de transacções, em queda acentuada desde 2008.
Mas não é só. Ao problema do financiamento bancário, «acrescentamos o valor das avaliações bancárias dos imóveis, tendo actualmente casos de avaliações a 60/70% do valor de venda», refere Nuno Mourão, director comercial da Square Imobiliária. Factores que «não só dificultam o processo de compra e venda, como, em muitos casos, impossibilitam o acesso das famílias ao crédito à habitação».
Para Nuno Mourão, a criação de estímulos ao nível do mercado de arrendamento deveria ser considerada. «Seria importante que existisse um mercado justo e regulado do arrendamento urbano, com preços atractivos para os jovens. Essa situação não só dinamizaria o mercado, como evitaria o fluxo migratório constante dos centros das cidades. Consideramos que um forte mercado de arrendamento desagravaria, em parte, os problemas inerentes ao difícil acesso ao crédito habitação».
Para Gabriel Vala, gerente e administrador da mediadora QHouse, às restrições do crédito junta-se «a falta de confiança» dos portugueses. «Perante este cenário alarmante, e o drama que a economia do País atravessa com o aumento galopante do desemprego, o descrédito da classe política, o negativismo que diariamente entra na casa das pessoas através dos meios de comunicação social, atormentando cada vez mais os cidadãos, é impossível aumentar os níveis de confiança».
Acresce o tipo de produto disponível no mercado. «A oferta de produto sem qualidade (excedentários) direccionada para a classe média baixa continua a ser bastante, sendo nesta que existe maior bloqueio em termos de mercado.
Funciona a gama de produtos muito baixo e o médio alto», sublinha Gabriel Vala.
Para inverter o ciclo, o mesmo responsável defende, como contributo, a criação de medidas no sentido de «incentivar os negócios através das mediadoras oficiais», o combate à «clandestinidade», e o incentivo ao mercado de arrendamento «alterando a Lei, melhorando as garantias aos proprietários». Para Gabriel Vala, seria também importante «melhorar a atitude e profissionalismo dos mediadores imobiliários», e contar com «alguma abertura no acesso ao crédito».
Mediadores com papel fundamental
A importância que o mediador imobiliário hoje assume no mercado é amplamente reconhecida. Contudo, em tempos mais conturbados, o seu papel parece sair reforçado.
«Em tempos conturbados como o actual, com quebras nos índices de confiança dos consumidores, existe uma natural tendência para procurar os melhores
profissionais das diversas áreas; a mediação imobiliária não é excepção», defende Nuno Mourão, da Square.
«Além de todas as vantagens inerentes ao facto de ser um profissional credenciado a tratar de todo o processo burocrático, que como sabemos em Portugal ainda é complicado, o conhecimento dos imóveis e a forte proximidade que temos com a banca permite uma maior taxa de sucesso e satisfação no momento de efectuar uma transacção imobiliária».
Na opinião de Gabriel Vala, «o papel do mediador é importante quando é bem feito e com profissionalismo». «Deve conhecer bem o mercado, fazer bem o
aconselhamento, conhecer as realidades do potencial cliente e o que se ajusta às suas necessidades, demonstrar credibilidade e conhecimento».
Fonte : Casa Sapo


