Dificuldades financeiras agravam-se nas empresas da construção

Depois de o ano de 2008 ter ficado aquém das expectativas da FEPICOP em termos de crescimento do sector, decorrido o primeiro mês de 2009 constata-se que a maioria dos indicadores de análise da conjuntura se manteve nos níveis observados no final de Dezembro último.

A análise dos indicadores disponíveis permite concluir que, nos últimos meses, as dificuldades financeiras das empresas do Sector se têm agravado intensamente, conclusão que é consubstanciada pela variação negativa do índice relativo à situação financeira das empresas, o qual registou um decréscimo de quase 13% no trimestre acabado em Janeiro em comparação com o período homólogo. Estas dificuldades financeiras traduzidas pelos empresários no Inquérito Mensal realizado pela FEPICOP em colaboração com a UE, prendem-se com sucessivas reduções de actividade e com constrangimentos relacionados com a obtenção de financiamento e prazos de recebimento.

O índice de produção da Construção que, no final de 2008, terá ficado 1.3% abaixo de 2007, continua a registar no trimestre terminado em Janeiro, um comportamento mais lento do que o que se esperava, sobretudo devido à continuação da degradação da actividade no segmento da habitação.

O número de novos desempregados inscritos nos Centros de Emprego durante o mês de Dezembro de 2008, vindos do Sector da Construção, atingiu 3 244, número que, acrescido aos valores acumulados até Novembro, faz com que a dimensão do desemprego na Construção no final de 2008 correspondesse a mais de 41 mil pessoas, desemprego que resulta indiscutivelmente da forte quebra de actividade nos edifícios para habitação, actividade que é mão-de-obra intensiva.

Os níveis de produção de obras de engenharia civil que, até ao final de 2008, apresentavam variações positivas, mantiveram esta tendência em Janeiro, mês em que se registou um acréscimo trimestral homólogo de 0.7%.

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Acelerar Obras Anunciadas é Essencial para o Emprego.

Presidente da AICCOPN, considera que a construção é a única via para acelerar a economia e preservar o emprego.

A crise com que Portugal, a Europa e boa parte do Mundo estão confrontados é de tal forma grave e profunda que não tem paralelo nas últimas décadas. “O abrandamento económico é generalizado, razão pela qual se exigem medidas urgentes para que, no mais curto espaço de tempo possível, seja possível Ver tudo »

Deveres de Informação no Crédito à Habitação em consulta pública

O Banco de Portugal colocou em consulta pública o projecto de Aviso sobre “Deveres de Informação no Crédito à Habitação”, no qual reforça as exigências actualmente impostas às instituições de crédito.

De acordo com a informação publicada no site oficial do Banco de Portugal, este novo diploma regulamentar, em consulta pública até 28 de Fevereiro, «vem sublinhar a importância da disponibilização, ao cliente bancário, de um conjunto de informação essencial para a caracterização dos empréstimos à habitação, e para avaliação das implicações nos orçamentos familiares dos planos financeiros que lhes estão associados».

Desta feita, «as instituições de crédito ficam obrigadas a prestar ao cliente bancário os elementos informativos definidos pelo Banco de Portugal» para quatro etapas distintas: simulação do empréstimo, aprovação do empréstimo, celebração do contrato, e vigência do contrato.

Fonte : Banco de Portugal | www.bportugal.pt / Casa Sapo

Restrições ao crédito dificultam negócio imobiliário

As restrições na concessão de crédito à habitação são hoje um dos principais obstáculos à realização de negócios imobiliários. Para os mediadores, a pouca margem de manobra dos bancos, reflexo do agravar da situação económica, do endividamento dos portugueses, está a travar o número de transacções, em queda acentuada desde 2008.

Mas não é só. Ao problema do financiamento bancário, «acrescentamos o valor das avaliações bancárias dos imóveis, tendo actualmente casos de avaliações a 60/70% do valor de venda», refere Nuno Mourão, director comercial da Square Imobiliária. Factores que «não só dificultam o processo de compra e venda, como, em muitos casos, impossibilitam o acesso das famílias ao crédito à habitação».

Para Nuno Mourão, a criação de estímulos ao nível do mercado de arrendamento deveria ser considerada. «Seria importante que existisse um mercado justo e regulado do arrendamento urbano, com preços atractivos para os jovens. Essa situação não só dinamizaria o mercado, como evitaria o fluxo migratório constante dos centros das cidades. Consideramos que um forte mercado de arrendamento desagravaria, em parte, os problemas inerentes ao difícil acesso ao crédito habitação».

Para Gabriel Vala, gerente e administrador da mediadora QHouse, às restrições do crédito junta-se «a falta de confiança» dos portugueses. «Perante este cenário alarmante, e o drama que a economia do País atravessa com o aumento galopante do desemprego, o descrédito da classe política, o negativismo que diariamente entra na casa das pessoas através dos meios de comunicação social, atormentando cada vez mais os cidadãos, é impossível aumentar os níveis de confiança».

Acresce o tipo de produto disponível no mercado. «A oferta de produto sem qualidade (excedentários) direccionada para a classe média baixa continua a ser bastante, sendo nesta que existe maior bloqueio em termos de mercado.
Funciona a gama de produtos muito baixo e o médio alto», sublinha Gabriel Vala.

Para inverter o ciclo, o mesmo responsável defende, como contributo, a criação de medidas no sentido de «incentivar os negócios através das mediadoras oficiais», o combate à «clandestinidade», e o incentivo ao mercado de arrendamento «alterando a Lei, melhorando as garantias aos proprietários». Para Gabriel Vala, seria também importante «melhorar a atitude e profissionalismo dos mediadores imobiliários», e contar com «alguma abertura no acesso ao crédito».

Mediadores com papel fundamental

A importância que o mediador imobiliário hoje assume no mercado é amplamente reconhecida. Contudo, em tempos mais conturbados, o seu papel parece  sair reforçado.

«Em tempos conturbados como o actual, com quebras nos índices de confiança dos consumidores, existe uma natural tendência para procurar os melhores
profissionais das diversas áreas; a mediação imobiliária não é excepção», defende Nuno Mourão, da Square.

«Além de todas as vantagens inerentes ao facto de ser um profissional credenciado a tratar de todo o processo burocrático, que como sabemos em Portugal ainda é complicado, o conhecimento dos imóveis e a forte proximidade que temos com a banca permite uma maior taxa de sucesso e satisfação no momento de efectuar uma transacção imobiliária».

Na opinião de Gabriel Vala, «o papel do mediador é importante quando é bem feito e com profissionalismo». «Deve conhecer bem o mercado, fazer bem o
aconselhamento, conhecer as realidades do potencial cliente e o que se ajusta às suas necessidades, demonstrar credibilidade e conhecimento».

Fonte : Casa Sapo